Itinerário
Eu jamais imaginara que entraria em uma oficina como esta , para mim, para minha família, conhecidos em geral eu tinha talento, contudo eu sabia que o tempo me consumia e faz falta inspiração nas coisa mais banais que acontecem… As vezes se esta em um ônibus com um rumo meio conhecido. Você sabe aonde esta indo mas é automático e você esta lendo neste momento algum conto de Tchekhov, então consegue inusitar aquela situação tão comum. Mas em pensamento o tempo nem lhe permite o pegar o papel, talvez você prefira ficar de expectador.
E como é fácil colocar a culpa nos outros, a culpa ou a responsabilidade, fui obrigado, fui induzido, é mais fácil viver assim, de certa forma é mais fácil não estar em evidencia, então você continua lendo, e as idéias continuam passando como a viagem de um ponto a outro. E eu continuo falando para um terceiro eu!
E este é o meu problema eis que enrolo, e meu narcisismo fala mais de mim do que o ponto propósito por este conto meio crônico, moderno demais para o que tenho lido, mas também Shakespeariano sem romance, só giros robustos envolta de simplicidades.
Simples como a vida, simples como esta primeira aula e o caminho de ruas que me trouxeram até ela… Complexo como a insegurança.
Entrei em uma casa antiga, com cheiro de antiga, repleta de antiguidades. Mesmo que escura, não tinha um tom sombrio, de fato era aconchegante. Tons de marrom dos moveis barroco, talvez Luiz IV, não sou arquiteto nem historiador mas sei apreciar aquela arquitetura bem européia , elegante, de cômodos enormes, cortinas bordo, velas e bebidas faraônicas, um lustre enorme de cristal . Senti-me bem vindo, bem recepcionado.
Fui guiado pelo som de uma voz masculina, calma e instrutiva, parecia que não ia a lugar nenhum, pois mantinha o mesmo ritmo e entonação. Cheguei a uma porta entreaberta uma forte luz passava pela fresta iluminando o corredor, entrei no cômodo, a voz se calou, percebi um grupo de pessoas, totalmente aleatórias sentadas num circulo com cadernos, notebooks, tomando notas provavelmente, esse circulo na verdade era um ‘U’ como uma alcatéia de lobos ou tribo de índios ouvindo um superior falar, e lá estava ele em uma cadeira de capitone em couro preto surrado.
Era um senhor de seus sessenta e tantos, ou poucos, anos, magro por incrível que pareça, ao falar em 60 anos só me imagino barrigudo, ele era completamente grisalho me olhou curioso se levantou veio em minha direção e falamos ao mesmo tempo ‘’com licença’’ ‘ seja bem vindo’’, eu estava prestes a fazer uma daquelas perguntas obvias ‘’é aqui a aula de escrita criativa?’’ mas achei que o bem vindo dele já tinha me respondido. Ele pediu que me apresenta-se. ‘’Ligeiramente mas com profundidade’’.
Hesitei por um segundo, mas cheio de mim desandei a falar ‘’ sou Christian Bublitz tenho 28 anos, eu estudei jornalismo mas não sou capitalista o suficiente para inventar noticias, também fiz Bacharelado em letras, mas não quero dar aulas. Não sei como cheguei aqui, acho que foi um pouco de muitos, muitos os que me inspiram, de Freud a Bukowski, eu ate consigo ver semelhança em ambos. Mas o que me fez pegar o o ônibus em direção a esta oficina, mesmo, foi o medo’’. Parei de falar e fui me sentar em uma cadeira de nossa alcateia, eu me sentia um membro já.
As pessoas totalmente randômicas me fitavam com curiosidade, mas nenhuma teve coragem de me olhar com tom de superioridade, embora eu tivesse mostrado todas minhas fraquezas, ou meu jeito covarde de ser, ninguém me julgou, ficaram interessados em saber mais, mais sobre este louco ou problemático, perdido. Ou mais sobre o que eu poderia contar.
O professor aproveitou minha apresentação para dar continuidade, ele se apresentou para mim e disse ‘estávamos aqui justamente falando sobre terapia, a terapia da escrita, os benefícios de colocar no papel sentimentos, idéias, ou ideais, ou simplesmente colocar para esvaziar a mente. ’’ Fez uma pausa. Compreendi que estava no local certo para tratar meus medos, sim ali eu poderia ser eu mesmo, eu poderia escrever e ser lido e eu teria o tempo suficiente para criar era ali aonde meu ócio não se perderia. Continuou ‘’ eu creio que a mente do homem cria armadilhas para ele mesmo e estamos aqui para transformá-las em poesia, ou em outra coisa bela literária’ mas uma pausa as pessoas tomavam notas, eu abri meu caderno e peguei uma caneta para me entrosar mais ainda.
A aula teve continuidade, o professor falou sobre alguns gêneros literários, mas o objetivo principal da oficina eram os contos, então focamosem contos. Seique quando escrevo algumas coisas elas transbordam dentro de mim e acabam saindo prosas poéticas. Comecei a calcular e percebi que também estava ali para aprender a controlar essa maré e unir meu talento, dito pelos outros, à técnicas e aprendizagens que alguns escritores nos deixam em suas obras e percebi que eram até obvias porem não nos detemos em técnicas de escritas ao pegar uma obra nos só queremos o subtexto deles, queremos ser autores de coisas que não são nossas.
Resolvi colocar minha opinião sobre isso para o resto da turma, causei uma certa polemica, as pessoas começaram a debater, o professor me olhava com olhos de admiração ele gostou, concordou e resolveu construir um exercício, cada um de nos deveria criar uma frase para que o seguinte desse continuidade e assim nós leríamos todos a nós mesmos e aos demais do grupo.
Uma menina de longos cabelos negros lisos e pele bem clara, seria a primeira a falar ela estava tranquila mas tinha um tom desconfortável ela começou com a seguinte frase “eu me rejeito”. Assim que ela terminou tudo se apagou para mim, a frase pareceu ecoar dentro de minhas entranhas, eu me rejeito eu me rejeito… Éramos mais ou menos 20 pessoas em uma sala, e as frases foram seguindo, mas eu não conseguia mais prestar atenção em nenhuma, apenas olhar para aquela menina, mulher, que parecia mais ter saído de um filme bizarro, como se fosse uma bruxa que me lançara um feitiço, comecei a vê-la e somente vê-la em cenas que nunca vivi , nunca deve ter vivido eu a via como um anjo caído que me mostrava um espelho.
Subitamente um frio me tomou conta, eu não sabia porque mas a vontade de viver esse drama e sair correndo porta afora era grande, a identificação com aquela frase foi tanta que eu me transportei para fora dali, para fora de mim, par ao mundo dela onde ela era eu num reflexo, e só coisas sombrias a rodeavam. A turma seguia o exercício, e eu pálido ali numa situação ridícula, mas eu já admitira, era um covarde!
Já dizia o rei das patologias o primeiro passo é a aceitação, eu aceitei ao vir aqui, ao falar para todos , entrei de peito aberto, e quiz desistir por um segundo, na metade do caminho.
Voltei a mim por um segundo, já estava quase na minha vez e eu pude ver que as frases estavam entoando para um otimismo que não me agradara. Vivia para o pessimismo. Comecei a ficar tenso, pois era o ultimo e não sabia que frase podia combinar, encaixar no contexto eu nem sabia qual era o contexto.
O nervosismo aumentando e aumentando, me senti uma criança no colégio quando a professora pede para você ler em voz alta um texto qualquer e você gagueja e desandam as risadas. Eu já não era bem vindo naquela alcateia, eles estavam felizes.
A minha frase seria um epitáfio, eu me mataria em uma frase e o minuto estava chegando, junto as gargalhadas, ou olhos constrangidos que me fitariam… a minha vez chegou eu não disse nada, então o professor me incentivou: ‘é sua vez s.r. Bublitz’, eu olhei para todos estático abri a boca achando que as palavras não viram, mas elas saíram sem coragem: “ peguei o ônibus errado’’.
Nathalia Bender 04/09/2012
O Príncipe
Há pessoas que acreditam em seus poderes de julgamento, que seus gostos e desejos são independentes de quais quer influencias externas. O sentimento é de algo de sua autoria, como se sua opinião fizesse parte de seu substancial. Aos ”originais de nascença”, eu sinto dizer que, os tempos de hoje são mais mitológicos do que nunca.
A mitologia atual tece cordas transparentes aos bonecos (marionetes) que são audiência para mídia. O mundo globalizou as influencias sociais em todos os níveis. Ate mesmo os sentimentos mais autônomos e revolucionários chegaram ao seu lugar por algum motivo, alguma projeção ou identificação. Afinal isso é humano.
O álter ego sente o impacto social e copia o que viu no espelho. O circo social ganha forma quando o egoísmo; natural do ser humano; impõem se sob os demais. Ninguém é, de fato, melhor do que ninguém, todos, no fundo, não passam de personagens da mesma historia, limítrofe ao conhecido.
A filosofia, salvadora, vem então cortar as cordas transparentes. Libertando-nos, investigando o saber conhecido, desvendando o desconhecido. Esta surgiu para por fim à mitologia, às suas crenças ignorantes. Contudo, não chegou a ser tão avassaladora como a ciência.
Como o homem não é só racional, as ciências unidas à liberdade de expressão aumentam o sentimento de poder, sr capaz de criar, evoluir, calcular e sentir. Mas isso é humano.
Originais de nascença não nascem sabendo, gostando, criando, sentindo de seu próprio jeito. Tudo isto é desenvolvido e ganha forma em um ambiente bombardeado de informações, crenças, culturas, medos, comportamentos, tendências em fim influencias. Um ambiente de mitologia, um ambiente mitológico.
O aprender não só depende da veracidade de quem ensina como do interesse e capacidade do aprendiz. Depende da exposição ao poder cultural, social de moldar um caráter, uma personalidade. Injeção de valores.
Não existe autossuficiência e auto governança, o ser humano já nasce com duvidas e nessas não existe poder persuasivo que não se tenha identificado, projetado e aprendido. Sempre por trás de um príncipe há quem esteja disposto a ensina-lo como governar, como assumir sua coroa. Ninguém é alguém por acaso, por genética.
Oficina de Escrita Literária
Prof. C. Kiefer
Tema: Originalidade Manipulada
NBB 31/05/2011
eu estive vivendo e voce?
Eu estive tentando escrever
Coisas bonitas sobre os sentimentos que eu tinha por ti
Sobre o meu amor, ou sobre o teu?
Foi assim que passei a ver
Eu poeta, com papel em branco
Eu poeta, sem palavras no lápis
E nessa projeçao
Eu amante com coração vazio
Eu estive tentando viver
Eu andava sonhando acordada
E em meus círculos
As palavras não foram gentis
Tu me dissesse que estavas vivendo
mas eu não conseguia ver sinceridade
Eu andava tentando esquecer
aquilo tudo que eu inventei
aquilo tudo que me destes pela metade
e o abstrato tempo me fez ver
a borracha que voce passava em minhas palavras
Eu andava querendo um amor
mas os teus calculos nao permitiram
o idealismo apagado pelo teu boicote
E quem estava de fato vivendo?
Eu esqueci de jogar na minha vez
Mas eu não perdi
Eu ganhei
Eu andei gostando de mim
Eu achei as palavras no sentimento contraio
Eu andava tentando descrever
Mas hoje eu já traduzi
Eu andei!
Nathalia Bender 20/06/2012
